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Dossie Creonte: O que significa creonte e como surgiu o termo

Encontrei um artigo legal um blog, aparentemente abandonado, contando um pouco da história da expressão creonte criada pelo saudoso e polêmico Carlson Gracie na década de 80 e 90 e resolvi escrever um pouco mais sobre esta expressão que faz parte da história do jiu-jitsu.

Creonte: Significado, história e curiosidades

A história do Creonte faz parte da história do Jiu-Jitsu

Um pouco de história

Nas décadas de 80 e 90 o Jiu-Jitsu conquistava grande parte da juventude carioca, com a expansão das academias Gracie de Jiu-Jitsu e as rinchas com a galera da Luta Livre. Treinar era coisa séria, sua turma e estilo seriam definidos por este princípio, a fidelidade do aluno com seu mestre e companheiros era algo fundamental, basicamente a idéia de família, onde uma vez dentro, você teria que defendê-la com unhas e dentes.

Surgimento da expressão Creonte

A troca de academias era algo constante, porém o saudoso mestre Carlson Gracie, sempre polêmico, criou uma denominação curiosa para estas pessoas “Creontes”. Nome retirado de um personagem de novela da época que era considerado traidor e mal carater. Esta expressão era utilizada com grande seriedade por todos lutadores.

Para entender melhor, creonte era o cara que treinava em determinada academia, sendo bolsista, ou pagando matrícula, recebendo todos os ensinamentos de seu mestre e quando estava casca-grossa, deixa sua academia para treinar em outro lugar. Em algumas situações, após uma derrota, o mesmo aluno voltava a sua academia de origem, há relatos de alunos expulsos a gritos por seus professores.

“Infelizmente sempre vai existir, é a pior coisa que um homem pode ser. Pessoa não grata por seus amigos, parceiros de treino, ao seu mestre a sua família, lembre-se creonte hoje aqui comigo, amanhã com você, creonte sempre será creonte” Entrevista do site meia guarda com Prof. Brazilian Fight – João Claudio

Jiu-jitsu como serviço

Hoje em dia a relação entre academia aluno já não é a mesma, muitos não entendem a filosofia que envolve o tatame, a disciplina e a dedicação de seu mestre e companheiros, levando tudo como um serviço, “mensalidade paga, serviço recebido”. Com a vida corrida da cidade, isso se tornou fato costumeiro e a expressão vêm se perdendo.

Ainda existe o creonte ou o jiu-jitsu se profissionalizou?

Tudo na vida evoluiu e com o jiu-jitsu não foi diferente, mas não foram só as técnicas, como a aguarda 50/50 ou o berimbolo que se proliferaram entre os praticantes da arte suave. O conceito também mudou, o lutador que antes competia por uma medalha agora se tornou um profissional da luta, muitos tendo o seu sustendo exclusivamente deste esporte. Hoje os atletas de hoje se preparam desde as faixas coloridas para poderem colher os frutos quando atingir graduações mais avançadas. Aulas, seminários, prêmios de competições e patrocinadores passam a compor a renda destes atletas.

Vimos recentemente muitos atletas trocando de bandeira, como foi o caso do Keenan Cornelius que era aluno do Loyd Irvin e hoje é atleta da Atos, Rodrigo Cavaca deixando a Checkmat e montando a sua própria bandeira, a Zenith. Cornelius buscando mais treinos do seu peso, Cavaca buscando a liberdade para criar o time conforme sua filosofia.

Considerando este cenário, volto a pergunta deste tópico: A troca de academias faz parte da evolução e profissionalização do jiu-jitsu ou continua sendo um atitude de creonte? 

Para mim o simples fato de trocar o local de treino, não é a atitude de um traidor, Vitor Oliveira, por exemplo atleta da Pitbull desde pequeno e que hoje faz parte da tropa de elite da GF Team, foi obrigado a trocar de bandeira para continuar treinando jiu-jitsu. Na época, ele teve que se mudar, e a cidade onde foi morar não tinha uma filial Pitbull, sem treino, ele procurou o seu Bitta e contou a situação, que ciente o orientou a procurar outra bandeira pra treinar. Talvez muitos nem tenham notado, mas em seu kimono o escudo Pitbull está sempre presente.

Creonte sempre vai existir

Pode mudar o nome, pode mudar o contexto, mas sempre existirá a figura do traidor. Talvez você conheça algum, ou até treine com um creonte. Na minha humilde opinião o creonte é um cara que não honra os ensinamentos que recebeu do seu mestre, que não valoriza a sua história, que troca de academia para ganhar faixa mais rápido, ou que troca sem motivo algum. Não precisa ser competidor ou profissional para poder trocar de academia, as vezes você simplesmente não se sente bem onde você está e pronto, mas honrar a sua história, respeitar as suas origens, isso creonte nenhum faz.

Samba do Creonte

Pra fechar o post, vale a pena dar um play no vídeo abaixo e ouvir a homenagem do mestre Bitta, ao saudoso mestre Carlson Gracie, pai da expressão creonte.

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O tema é polêmico e a sua opinião é muito importante. Vou levantar este mesmo tema em nosso grupo no Facebook, para que possamos debater com mais profundidade.

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O Aprenda Jiu-Jitsu tem o objetivo oferecer aulas de jiu jitsu com dicas gratuitas para colaborar com a difusão das técnicas do puro jiu-jitsu brasileiro. Nossa equipe garimpa, seleciona e categoriza as melhores técnicas para que você possa aprender através do nosso site golpes e técnicas de qualidade.

3 comentários

  1. Como fala no texto, acho que conseguimos sim, diferenciar Creontes de praticantes e atletas que buscam se adaptar há alguma dificuldade de percurso. Mudança de cidade, trabalho e outros fatores, muitas vezes fazem com que o atleta tenha que mudar seus planos, não intencionalmente. O mais importante é manter o espírito e os ensinamentos do seu Mestre no coração e perpetuar os valores do JJ a todos que lhe cercam. Oss

  2. Acho que na busca por conhecimento, você deve beber de todas as fontes disponíveis. Sempre dando os devidos créditos aos mestres.

  3. Sábias palavras do cantadas pelo mestrão Bitta. Na minha humilde opinião, creonte é que nem árvore sem raiz, não dá fruto. O cara que não respeita bandeira e a seus professores merece a expulsão. Vem como amigo aprende tudo o que pode e te trai e fala mal da equipe que o acolheu.

    Gábrio “minotta” Lima Faixa marrom desde a branca da família pitbull. Fui criado no canil e vou me formar nele.

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